Compromissos
Mude com Elas
Jovens mulheres negras ainda enfrentam barreiras históricas para ingressar e permanecer em espaços profissionais qualificados. Mesmo com avanços educacionais, elas seguem sendo o grupo mais afetado por:
Desemprego e subemprego
Informalidade
Desigualdades salariais
Informalidade
Desigualdade em números
Jovens negras dedicam, em média,
19 horas semanais
a cuidados e tarefas domésticas — quase o dobro do tempo gasto por jovens homens brancos
O desemprego entre jovens negras é
2,5 vezes maior
que a média da população
O desalento (quando a pessoa desiste de procurar emprego) é
4 vezes maior entre jovens negras do que entre jovens brancos
Jovens negras ganham, em média,
48% menos
que jovens brancos
A subutilização (quando há falta de oportunidades de trabalho adequado) entre jovens mulheres negras é o dobro da de jovens homens brancos
Fonte: PNAD Contínua – 3º trimestre de 2024 | PNAD 2022
Compromissos
Mude Com Elas
Promover condições de equidade por meio de processos seletivos livres de discriminações
Estabelecer programas de desenvolvimento que impulsionem as carreiras de jovens negras
Estabelecer programas de desenvolvimento que impulsionem as carreiras de jovens negras
Estabelecer comissão de auditoria e conformidade (compliance) com foco na gestão de canais de denúncia
Reconhecer as múltiplas vivências e realidades de jovens negras
Produzir e/ou apoiar pesquisas e dados que possibilitem o monitoramento das políticas de diversidade, equidade e inclusão com foco em jovens mulheres negras
Garantir o compromisso ativo e estratégico da alta liderança na promoção da equidade racial e de gênero
Promover condições de equidade por meio de processos seletivos livres de discriminações
É fundamental assegurar que as equipes de atração, recrutamento e seleção compreendam os desafios estruturais enfrentados por jovens negras e se comprometam com a promoção da justiça social, por meio de ações afirmativas sustentadas em processos bem definidos - desde a busca ativa até a permanência dessas profissionais. Processos seletivos equitativos devem ser intencionalmente desenhados para superar práticas discriminatórias, visíveis ou invisíveis, abrangendo desde a definição de requisitos até a comunicação e capacitação das equipes envolvidas. Essas iniciativas devem ampliar a diversidade por meio de estratégias integradas, com o objetivo de aumentar a presença de jovens negras em diferentes cargos e posições.
Indicadores de boas práticas
1
Existem metas estabelecidas para a contratação de jovens mulheres negras em diferentes cargos, especialmente em posições com potencial de crescimento profissional, indo além das exigências legais, com monitoramento e avaliação contínuos dos resultados.
2
Os processos seletivos são eficazes na atração, recrutamento e contratação de jovens negras, contando, sempre que necessário, com consultorias especializadas ou parcerias com coletivos de pessoas negras em universidades e organizações sociais, utilizando linguagem inclusiva, estratégias acessíveis, condições equitativas e acompanhamento qualificado.
3
Os processos seletivos são eficazes na atração, recrutamento e contratação de jovens negras, contando, sempre que necessário, com consultorias especializadas ou parcerias com coletivos de pessoas negras em universidades e organizações sociais, utilizando linguagem inclusiva, estratégias acessíveis, condições equitativas e acompanhamento qualificado.
4
A comunicação dos processos seletivos explicita a intencionalidade de priorizar perfis diversos e adotar ações afirmativas, com linguagem atrativa, inclusiva e acessível.
5
As vagas evitam exigências incompatíveis ou desnecessárias para o exercício da função, de forma a não restringir candidaturas de perfis diversos.
6
Os critérios de avaliação não reproduzem códigos institucionais excludentes, assegurando o reconhecimento das competências de jovens negras para além dos padrões hegemônicos de profissionalismo e adequação cultural.
7
As cotas previstas na Lei da Aprendizagem são cumpridas, com prioridade para a inserção de jovens negras em funções diversas, com perspectivas reais de permanência e crescimento na carreira.
8
São implantados programas de estágio remunerado e/ou trainee com foco em jovens negras, ampliando as oportunidades de ingresso qualificado no mercado de trabalho e oferecendo horizonte de desenvolvimento profissional.
Estabelecer programas de desenvolvimento que impulsionem as carreiras de jovens negras
Significa garantir a permanência, o crescimento e a ascensão profissional de jovens negras na organização, por meio de iniciativas estruturadas e contínuas de desenvolvimento. Isso inclui a criação e a manutenção de programas específicos de formação e aceleração de carreira voltados para esse público, contemplando a elaboração de Planos de Desenvolvimento Individual (PDI) e a oferta de mentorias que considerem suas trajetórias e os desafios particulares que enfrentam. Tais ações devem enfrentar barreiras estruturais à progressão, como a falta de fluência em outros idiomas ou lacunas em competências técnicas, promovendo o desenvolvimento integral dessas profissionais.
Indicadores de boas práticas
1
Existem metas estabelecidas para a contratação de jovens mulheres negras em diferentes cargos, especialmente em posições com potencial de crescimento profissional, indo além das exigências legais, com monitoramento e avaliação contínuos dos resultados.
2
São oferecidas mentorias conduzidas por profissionais com preparo técnico e/ou vivências semelhantes, garantindo escuta qualificada e suporte sensível às desigualdades de raça, gênero e idade, com atenção às interseccionalidades vividas por jovens negras.
3
A qualificação dessas profissionais é incentivada, inclusive com apoio financeiro, ampliando o acesso a cursos de idiomas, formações técnicas, graduação, pós-graduação, certificações e capacitações extracurriculares (como Power BI, Excel avançado, entre outros).
4
Há metas de progressão profissional para jovens negras, associadas à construção de Planos de Desenvolvimento Individual (PDI), orientando-as na conquista de posições estratégicas, cargos de gestão e funções de liderança.
Estabelecer políticas internas de diversidade, equidade e inclusão com foco em jovens profissionais negras
Políticas institucionais de diversidade, equidade e inclusão devem promover ambientes de trabalho inspiradores, que favoreçam o crescimento, o pertencimento e a permanência de jovens profissionais negras. Isso implica garantir que essas jovens conheçam, compreendam e se reconheçam nas políticas e nos processos organizacionais, sentindo-se parte ativa dos contextos corporativos.
Indicadores de boas práticas
1
As políticas internas são atualizadas e incorporam, de forma intencional, o compromisso com a construção de ambientes diversos e inclusivos, que valorizem a presença e as contribuições de jovens, mulheres e profissionais negras. Essa atualização deve abranger desde os códigos de conduta até os manuais de governança, planos de carreira, regras e processos de trabalho, tornando esses instrumentos sensíveis às múltiplas vivências e pertencimentos culturais.
2
As políticas internas são divulgadas de forma clara e acessível, garantindo que protocolos e documentos orientadores sejam amplamente conhecidos, compreendidos e utilizados por todas as equipes.
3
O setor de Recursos Humanos é capacitado para atuar com base nos princípios de equidade de gênero, raça, diversidade e inclusão, oferecendo suporte qualificado às jovens negras em todas as etapas de sua jornada profissional.
4
Os processos de avaliação de desempenho consideram as especificidades das trajetórias de jovens negras, valorizando o desenvolvimento de suas competências em consonância com seus Planos de Desenvolvimento Individual (PDI).
5
A presença de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança é assegurada, de modo que possam atuar como referências e fonte de inspiração para as jovens profissionais negras.
6
Os códigos e práticas institucionais enfrentam, de forma contundente, estereótipos que reforçam a hipersexualização, a deslegitimação de trajetórias profissionais e o etarismo-elementos que frequentemente marginalizam jovens negras ao qualificá-las como "inexperientes" ou "imaturas".
Estabelecer comissão de auditoria e conformidade (compliance) com foco na gestão de canais de denúncia
Significa garantir ambientes de trabalho seguros, saudáveis e livres de violências para jovens mulheres negras e para todas as pessoas da equipe. Envolve a implementação de medidas preventivas e de canais de denúncia eficazes, específicos para casos de discriminação e assédio, com foco na eliminação de todas as suas formas no cotidiano profissional. Parte-se do reconhecimento de que o racismo e o sexismo são estruturais na sociedade e tendem a se reproduzir nos espaços corporativos - sendo, portanto, responsabilidade institucional enfrentá-los de forma ativa, sistêmica e contínua.
Indicadores de boas práticas
1
São realizadas formações regulares sobre letramento racial e de gênero, voltadas a todas as equipes e, especialmente, às lideranças, com o objetivo de capacitá-las para identificar, prevenir e enfrentar manifestações de racismo e sexismo no ambiente de trabalho.
2
Há canais internos de denúncia - por meio de comissões, ouvidorias ou outras estruturas específicas que atuam de forma qualificada em casos de discriminação e assédio com recorte de raça e gênero, assegurando protocolos claros de acolhimento, apuração e resposta às denúncias, com respeito e proteção às pessoas envolvidas.
3
A organização/empresa conta com o apoio de assessorias especializadas em diversidade e inclusão, sempre que necessário, para lidar com situações que demandem conhecimento técnico e sensibilidade específicos, além de participar de redes, fóruns e espaços de articulação que fortaleçam a cultura institucional de enfrentamento às violências e promoção da equidade.
Reconhecer as múltiplas vivências e realidades de jovens negras
Consiste em estabelecer dinâmicas de trabalho que respeitem e considerem as diferentes dimensões da vida de jovens negras — como maternidade, estudos, responsabilidades familiares, expressões culturais e religiosas —, garantindo-lhes condições adequadas para o exercício profissional e o desenvolvimento de suas carreiras. Trata-se de reconhecer que essas realidades não podem ser ignoradas nos contextos organizacionais, sendo essencial oferecer suporte efetivo e construir ambientes inclusivos, equânimes e livres de discriminação.
Indicadores de boas práticas
1
A realidade das jovens negras que integram os quadros da empresa é mapeada, identificando suas trajetórias, especificidades e necessidades, a fim de superar barreiras estruturais que dificultam sua permanência e ascensão profissional.
2
Os modelos de trabalho evitam, sempre que possível, longos deslocamentos — adotando formatos híbridos (com parte da jornada em regime remoto e suporte técnico adequado) ou oferecendo soluções de mobilidade (como transporte fretado ou subsídios).
3
Existem políticas de horários flexíveis que possibilitam a conciliação entre trabalho, estudos e cuidados familiares, com atenção especial às jovens mães e suas demandas cotidianas.
4
Os ambientes de trabalho são inclusivos para profissionais que são mães, por meio de uma política de apoio à maternidade que contemple ações específicas, como subsídio para creche, espaços adequados para amamentação e outras medidas de cuidado e acolhimento.
5
A organização/empresa mantém uma Política de Diversidade e Não Discriminação que valoriza e respeita a pluralidade de identidades, expressões e pertencimentos culturais — incluindo as estéticas negras, os modos de vestir e falar, e as práticas religiosas, especialmente as de matriz africana —, deixando nítido que não compactua com o racismo religioso e assegura tratamento equânime a todas as pessoas.
6
Reconhecer a saúde mental como parte essencial do desenvolvimento integral de jovens negras, promovendo ações de cuidado que envolvam escuta qualificada, acolhimento e suporte emocional. Sempre que necessário, estabelecer parcerias para garantir acesso a acompanhamento especializado com profissionais da saúde.
7
São promovidas ações formativas contínuas de educação e letramento intercultural, voltadas ao reconhecimento das diferentes cosmovisões e trajetórias, contribuindo para a construção de uma cultura organizacional antirracista, plural e respeitosa das múltiplas realidades que atravessam a vida de jovens negras.
Produzir e/ou apoiar pesquisas e dados que possibilitem o monitoramento das políticas de diversidade, equidade e inclusão com foco em jovens mulheres negras
Diz respeito à capacidade institucional de produzir, apoiar e utilizar informações qualificadas para embasar políticas de diversidade, equidade e inclusão. Trata-se de gerar e disseminar dados que permitam à organização compreender o perfil, as demandas e as necessidades das jovens mulheres negras, garantindo que suas estratégias estejam ancoradas em evidências. Além disso, reforça o papel das empresas na comunicação transparente de conquistas e desafios, contribuindo para o aprimoramento contínuo das práticas e para o fortalecimento de uma cultura organizacional baseada na equidade.
Indicadores de boas práticas
1
São realizados diagnósticos internos periódicos sobre o perfil da equipe, utilizando recortes de raça, gênero, faixa etária, território e outros marcadores relevantes. A análise desses dados orienta a tomada de decisão e, sempre que possível, é sistematizada e compartilhada como referência para outras organizações comprometidas com a inclusão e o desenvolvimento de jovens negras no mundo do trabalho.
2
A organização/empresa apoia, financia ou realiza pesquisas em parceria com universidades, coletivos, ONGS e consultorias especializadas em raça e gênero, fomentando a produção de conhecimento técnico, aplicado e socialmente comprometido com a equidade.
3
São produzidos diagnósticos qualitativos que revelem barreiras invisíveis à inclusão — as chamadas "zonas mortas" — a partir da escuta direta das jovens negras atuantes na organização, em diferentes áreas e níveis hierárquicos, considerando suas experiências, desafios e percepções sobre o ambiente de trabalho.
4
São publicados relatórios institucionais de diversidade, mesmo que parciais, com transparência sobre os avanços, desafios enfrentados e aprendizados acumulados no processo de implementação das ações afirmativas, demonstrando compromisso público com a melhoria contínua.
5
A organização participa ativamente de eventos, redes e coalizões que promovem a troca de boas práticas baseadas em dados e evidências concretas, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema de inclusão racial e de gênero no mercado de trabalho e consolidando uma cultura de corresponsabilidade.
Garantir o compromisso ativo e estratégico da alta liderança na promoção da equidade racial e de gênero
A efetivação de mudanças estruturais nas organizações requer o engajamento direto e consistente da alta liderança. Não se trata apenas de autorizar ou apoiar iniciativas pontuais, mas de assumir protagonismo no enfrentamento das desigualdades, integrando a equidade racial e de gênero como pilares estratégicos da instituição. Esse compromisso envolve alocar recursos, incorporar metas de diversidade aos indicadores organizacionais e assegurar que os valores de justiça social estejam presentes em todas as esferas da cultura institucional. A alta liderança deve atuar como agente de transformação, posicionando-se publicamente, incentivando o letramento racial e de gênero, promovendo espaços de escuta ativa e garantindo que a equidade seja um valor transversal, orientando práticas, decisões e relações organizacionais.
Indicadores de boas práticas
1
Existem metas claras de equidade racial e de gênero no planejamento estratégico da organização, integradas aos indicadores de desempenho da alta liderança, promovendo responsabilização direta pelo alcance dos resultados.
2
São realizadas formações obrigatórias e periódicas em letramento racial e de gênero para todas as pessoas em cargos de liderança, qualificando a tomada de decisão com base na equidade e no respeito à diversidade.
3
A alta liderança participa ativamente de rodas de diálogo, eventos internos e espaços de escuta com jovens negras e outros grupos minorizados, fortalecendo vínculos, reconhecendo vivências diversas e construindo soluções coletivas.
4
São alocados recursos financeiros e institucionais específicos para ações de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I), assegurando sua continuidade, integração às áreas de negócio e alinhamento com os objetivos organizacionais.
5
São patrocinados programas de desenvolvimento de lideranças negras e femininas, focados na ampliação da representatividade em cargos de gestão, tomada de decisão e conselhos executivos, fomentando mudanças nos centros de poder institucional.
6
O compromisso da liderança com a equidade racial e de gênero é comunicado publicamente, por meio da participação ativa em campanhas institucionais, relatórios de sustentabilidade, documentos estratégicos e coalizões intersetoriais, demonstrando alinhamento entre discurso e prática.
Como funciona a adesão
Momento 1
Adesão pública
Preenchimento do formulário de adesão, autorizando a divulgação do nome da Empresa/Organização como parceira nos canais institucionais da Rede Mude com Elas e se comprometendo com a efetividade dos compromissos.
Esse momento valoriza e dá visibilidade às organizações comprometidas com a transformação social.
Momento 2
Monitoramento
Após 10 meses da adesão, a organização envia um relatório apresentando boas práticas, avanços e desafios.
Com base nesses insumos, será elaborado o Relatório Público Anual, que destacará os avanços obtidos pela rede de parceiras.
Momento 3
Diálogo na Rede Multiatores
Após 10 meses da adesão, a organização envia um relatório apresentando boas práticas, avanços e desafios.
Com base nesses insumos, será elaborado o Relatório Público Anual, que destacará os avanços obtidos pela rede de parceiras.
Impactos esperados