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Mude com Elas: Guia propõe ações práticas para promover equidade racial e de gênero nas empresas

Autor: Bruna Ribeiro Data da postagem: 17/07/2025 14h13

Mude com Elas: Guia propõe ações práticas para promover equidade racial e de gênero nas empresas Acesse o Guia completo gratuitamente através do Observatório Mude com Elas

Em um cenário marcado por desigualdades históricas, as barreiras enfrentadas por mulheres negras no mundo do trabalho são um dos maiores desafios à promoção da justiça social no Brasil. Dados do IBGE mostram que mulheres negras têm as maiores taxas de desocupação, menores rendimentos, maior informalidade e menor acesso a espaços de liderança. Para enfrentar essa realidade, o CEERT, em parceria com a Ação Educativa e a organização Terre des Hommes, lançou o Guia Antirracismo e Antimachismo - Mude com Elas, que propõe ações concretas para transformar o ambiente corporativo.

A publicação integra o projeto Mude com Elas e foi pensada como uma ferramenta prática para organizações empregadoras que desejam promover o direito ao trabalho digno e impulsionar a inclusão de jovens negras em ambientes organizacionais. Com base em dados atualizados e escuta ativa das juventudes, o guia aponta caminhos que vão desde o recrutamento até a permanência e ascensão profissional, passando por mudanças estruturais na cultura institucional.

“O guia propõe a transformação por meio de ações diretas, como revisão dos processos seletivos, programas de mentoria e desenvolvimento contínuo, além de formações sobre racismo, sexismo e interseccionalidade para toda a equipe”, explica Mário Rogério, Diretor de Diagnósticos e Indicadores do CEERT.

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Julia Rosemberg, especialista em relações raciais no CEERT, complementa: “O guia propõe transformar os ambientes corporativos por meio da adoção de políticas afirmativas, mudanças na cultura organizacional e sensibilização contínua. Ele destaca estratégias práticas para processos seletivos mais justos, retenção e desenvolvimento de talentos negros e a promoção de uma liderança comprometida com a equidade racial e de gênero. O foco é garantir não só o ingresso, mas também, e sobretudo, a permanência e o crescimento das jovens negras em todos os níveis hierárquicos.”

Entre as recomendações do guia estão:

  • Diagnóstico e monitoramento da presença de jovens negras nas organizações;
  • Revisão dos processos seletivos, com linguagem inclusiva e valorização das juventudes negras;
  • Programas de mentoria, suporte psicológico e orientação profissional;
  • Treinamentos e rodas de diálogo sobre temas estruturantes como racismo e sexismo; Valorização de estéticas, saberes e experiências das juventudes negras.

A publicação também chama atenção para os principais desafios enfrentados por jovens negras nas organizações: como o racismo e sexismo estruturais, a falta de preparo das lideranças e a presença de códigos institucionais excludentes. Julia destaca que esses desafios são profundos e estruturais: “Os principais desafios incluem o racismo estrutural e o sexismo que moldam as relações sociais e corporativas, a resistência cultural interna nas empresas, o baixo engajamento da alta liderança e a falta de métricas claras para monitorar avanços. Além disso, há dificuldade em corrigir distorções históricas que limitam o acesso e a ascensão de jovens negras.”

“Não basta contratar. É preciso garantir condições reais de permanência e desenvolvimento. Muitas vezes, o que se vê são ações simbólicas que não enfrentam as barreiras estruturais”, alerta Mário Rogério.

A atuação das lideranças, segundo o guia, é um ponto-chave. A publicação reforça que o engajamento de gestores e gestoras, especialmente homens brancos, é indispensável para que as iniciativas de diversidade, equidade e inclusão não se limitem a ações pontuais. Julia reforça essa dimensão: “A liderança é essencial para legitimar e sustentar as ações antirracistas e antimachistas. Sem o engajamento ativo das lideranças — sobretudo em cargos de alta gestão — as iniciativas tendem a ser pontuais e pouco efetivas. A participação comprometida impulsiona a cultura organizacional, mobiliza recursos e assegura a implementação consistente das políticas.”

Segundo o diretor do CEERT, quando a alta liderança assume responsabilidade explícita e participa de formações e revisa práticas, ela sinaliza para toda a organização que o compromisso é sério. Sem isso, as ações tendem a se esvaziar.

Além das orientações, o guia traz dados que revelam a urgência da transformação:

  • Mulheres negras com ensino superior ganham, em média, 159% menos que homens brancos;
  • Apenas 2,6% das mulheres negras estão em cargos de liderança no Brasil; 
  • Jovens mulheres negras têm uma taxa de desocupação três vezes maior que a de homens brancos;
  • 57,9% das jovens negras ocupadas estão em condições de trabalho precárias;
  • Apesar de representarem 28% da população brasileira, as mulheres negras ocupam menos de 1% dos assentos parlamentares.

O Guia Antirracismo e Antimachismo – Mude com Elas é um convite à ação: mudar não é apenas necessário. É urgente. Essa mudança só será possível com a participação ativa de todos os setores da sociedade, especialmente do mundo corporativo.

Encontro Nacional da Rede MultiAtores MUDE com Elas

Esta publicação faz parte do projeto MUDE Com Elas, parceria entre CEERT, Ação Educativa e Terre des Hommes. O projeto organiza também o 2º Encontro Nacional da Rede MultiAtores MUDE com Elas, que mobiliza lideranças jovens negras e diversos setores da sociedade para debater alternativas para um futuro com trabalho digno. O evento acontece no dia 24 de julho de 2025, em Brasília, no Auditório 2 do Festival Latinidades, reunindo representantes do poder público, sociedade civil, movimentos sociais e setor privado. A data e o local reforçam a importância da capital federal como território de incidência política e celebram o 25 de Julho – Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.

Com uma programação intensa de painéis, debates, intervenções artísticas e encontros institucionais, o Encontro Nacional fortalece o protagonismo das jovens mulheres negras na construção de políticas públicas, especialmente nas áreas de cuidados, aprendizagem, justiça climática e combate às desigualdades no mundo do trabalho. A iniciativa também marca  a divulgação do Observatório MUDE com Elas e integra a agenda do Festival Latinidades, o maior encontro de mulheres negras da América Latina.

Clique aqui e saiba mais sobre as discussões propostas no encontro!

Fonte: CEERT